Tudo em Todo o Lado ao Mesmo Tempo 2022
visão global: Evelyn Wang é uma imigrante chinesa nos Estados Unidos que tem a dura missão de salvar o mundo atravessando vários universos paralelos e explorando todas as vidas que não chegou a viver.
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**Um filme magnificamente anti-niilista e brutalmente bem executado, com um elenco profundamente empenhado e uma história insana.** Acabei agora de ver este filme e senti uma irresistível necessidade de falar sobre ele e de o comentar. Porém, reconheço que um texto de poucos milhares de caracteres é de todo insuficiente para fazer uma justa avaliação. Este é um dos filmes mais complexos que vi, e por isso vou tentar fazer um esforço acrescido para não fazer "spoil", mesmo sentindo que vou precisar de abordar algumas coisas mais aprofundadamente para conseguir escrever o que preciso de escrever. Comecemos por dizer que o filme foi um sucesso esmagador, tanto nas bilheteiras quanto na crítica, e que vale cada cêntimo do nosso bilhete de cinema. Foi, também, o aclamado na cerimónia dos Óscares de 2023, com sete estatuetas (Melhor Filme, Melhor Director, Melhor Actriz, Melhor Actriz Secundária, Melhor Actor Secundário, Melhor Edição e Melhor Roteiro Original) em dez nomeações. E além dos Óscares, muitos outros prémios e galardões que me parecem totalmente justificados. Vamos começar pelo roteiro, um dos mais criativos e insanos que já vi: tudo começa com uma senhora chinesa de meia-idade que procura lidar com o caos organizado da sua vida normal: um negócio meio falido, um casamento em ruínas, uma má relação com um pai autoritário e com uma filha lésbica e contestatária. E problemas com o imposto de renda. É em meio a isto que ela descobre que existem biliões de outros universos, com diversas outras versões das pessoas que ela conhece, e que ela precisa de ajudar a derrotar um mal, uma força maléfica que ameaça destruí-los a todos. O filme parte de premissas muito ousadas da física, onde há algumas teorias que abordam a possibilidade de universos paralelos ao nosso, com alter-egos nossos a viverem lá, e vai mais longe, afirmando que esses universos nascem da nossa multiplicidade de opções e de decisões todos os dias. Por exemplo, eu estou aqui a escrever isto, mas noutro universo, outra versão de mim escolheu não ver filme nenhum e dormir. Eu não vou explicar muito mais, nem como a personagem principal descobre isto, nem que tipo de entidade maléfica é aquela, mas posso dizer que, no fundo, a maior mensagem que tirei deste filme é a necessidade de viver o presente, mas também ter fé e cultivar o amor e bons sentimentos, ao invés de sensações fúteis ou niilismos sem sentido. Com efeito, a personagem principal precisa de acreditar em si e nas capacidades que não sabe que pode ter, a fim de combater aquela força malévola, que é, em si mesma, uma boa representação do niilismo, da sensação de que nada nesta vida vale realmente a pena. Ainda acerca do roteiro, creio que é justo dizer que foi precisamente mais perto do fim que senti esgotar-se a inspiração, a overdose criativa dos directores e roteiristas. Isto é após tanta coisa bizarra e fora do comum, o final aparentemente simples (mesmo não o sendo) pareceu-me estranhamente anti-climático. Há tanto para dizer sobre os aspectos técnicos deste filme… dirigido por Daniel Scheinert e Daniel Kwan, é uma produção surpreendentemente barata (um orçamento de cerca de trinta milhões de dólares, para Hollywood e considerando o filme que é, são trocos), que funciona incrivelmente bem. A nível visual, é dos filmes mais arrasadores que já vi, com uma cinematografia e um trabalho de edição dignos de serem estudados pelas faculdades de cinema. E depois, temos o grandioso trabalho de concepção de cenários e de figurinos, e o impressionante trabalho dos duplos de acção e da maquilhagem, entre muitos outros pequenos detalhes que são tão ínfimos que quase não os percebemos, e que mostram o carácter detalhista, paciente e empenhado dos directores e da sua equipa. A banda sonora é igualmente um ponto muito positivo, com uma sonoridade atmosférica e às vezes muito discreta. Há imensas referências a aspectos da cultura ‘pop’, como as artes marciais ou até os aparelhos tecnológicos, e as cenas de luta e de acção foram feitas com atenção máxima aos detalhes, incluindo súbitas paragens da imagem nas cenas de maior intensidade, um estilo de cinematografia muito característico dos filmes de kungfu. O trabalho do elenco merece um louvor. Ao interpretar um variadíssimo leque de estilos de cinema numa mesma personagem, da comédia à acção física, Michelle Yeoh embarcou num "tour de force" tão desafiadora que faria qualquer actor renomado pensar duas vezes. A forma como ela se entrega à personagem é total, absorvente. Stephanie Hsu segue-a de perto e oferece-nos um trabalho profundo, cheio de sentimento e emoção. Ke Huy Quan também é impressionante e faz um trabalho notável. Em personagens menores, mas ainda dignas de menção, temos o veterano James Hong, e a prestigiada Jamie Lee Curtis, numa interpretação tão fora da sua zona de conforto que parece inimaginável para esta actriz, e, no entanto, pode tornar-se central na sua carreira daqui em diante.
**Um épico filosófico e introspectivo sobre o sentido da vida e quebra de ciclos traumáticos generacionais**, _Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo_ é discutivelmente o melhor filme da década até esse ponto, e um dos melhores já feitos. Como se a linda cinematografia, cheia de jogos de luzes e cores não fosse boa o suficiente, pareada com um conceito tão libertador artísticamente do que o multiverso, nesse filme trabalhado não tão criativamente, mas definitivamente de uma forma única, que dificilmente poderá ser reutilizada de uma forma tão satisfatória, toda a mensagem anti-niilista, e até mesmo anti-suicida, contribui absurdamente com a beleza nesse projeto, feito claramente com muito amor, sobretudo dos atores aqui escalados, que realmente dão alma aos personagens - eu não consigo imaginar Evelyn Wang sendo interpretada por alguém além de Michelle Yeoh, apesar desta geralmente interpretar papéis muito distintos do que ela interpreta nesse filme. Um filme essencial para todos os públicos: quem gosta de drama, romance, comédia pastelona, ação, filosofia...